O Brasil e  Funk


Para pensar...
Repassando.....


             A TV já vai lançar um programa semanal com duas horas de duração dedicado ao funk. Isso, claro, até o "Tigrão", a mente por trás do  "movimento", ser domesticado, o que, em termos mercadológicos, significa  botar um terninho e gravar uma babinha pra novela das oito da Globo.  O  "Tigrão", alias, deu uma elucidativa entrevista pra revista VIP de março.

             Eu digo elucidativa, pois ele dissipa a nevoa de ignorância (por parte do publico) que encobria alguns aspectos do "movimento".  

            Vejamos: em  determinado trecho da entrevista, "Tigrão" diz: "...As pessoas gostam desse erotismo. Mas, se você analisar, as letras nem são tão pesadas. Elas tem duplo sentido, até porque o publico infantil ouve funk".

             Muitas coisas interessantes nessas sentenças! 
             Então vamos por partes:
             "...se você analisar, as letras nem são tão pesadas".  Eu analisei e ele esta certo. Quem, em sã consciência, poderia achar pesada a letra do funk "Maquina de Sexo", que diz:
 "Maquina de sexo, eu transo igual a um animal/
  A Chatuba de Mesquita do bonde do sexo anal/
  Chatuba come cu e depois come xereca/
  Ranca cabaço, e o bonde dos careca"?

 Note-se a leveza de termos como "sexo anal", "cu", "xereca" (!)"cabaço".

             "Elas tem duplo sentido...". Procurei demais e não achei o duplo sentido no funk "Barraco III":
  "Me chama de cachorra, que eu faco au-au/
   Me chama de gatinha, que eu faco miau/
  Goza na cara, goza na cara/
  goza onde quiser".

  Ah, agora entendi! "Goza na cara" e porque o cara ficava tirando sarro da menina pelas costas. Ai ela diz "Goza na cara!". Que coisa... "...ate porque o publico infantil ouve funk". Eis uma verdade e a preocupacao do "Tigrao" se justifica. 

       
Foi pensando nas crianças que o garoto Jonathan, de 7 anos (ele mal tem coordenação motora para reproduzir a coreografia) foi incentivado a gravar o funk "Jonathan II", de edificante letra:
 
"De segunda a sexta, esporro na escola/
  Sábado e domingo, eu solto pipa e jogo bola/
  Mas eu já estou crescendo com muita emoção/
  E eu já vou pegar um file com popozão"
.
                 7 anos!!! 7 anos!!! Po, foi mal...A culpa é minha, gente grande, feia e besta, que não entendo. Então, vamos lá, repetir o discurso de dez em cada dez apresentadores de programas femininos e de auditório: todo mundo junto, um, dois, três e já:
             "A malicia esta na cabeça do adulto, a criança só quer se divertir. Onde já se viu, se preocupar com uma coisa dessas. Das crianças que passam fome na rua ninguém fala nada...". Aplausos entusiasmados e urros de apoio, por parte do auditório. E bom que se diga que as crianças que passam fome nas ruas são um sério problema social, cuja resolução deve ser uma das prioridades máximas de qualquer governo (detalhe sem importância: os funks da moda não passam nem perto dessa questão. Mas, beleza, vamos lá...). 
             Só que e um problema do governo, a gente não tem nada com isso, não e mesmo?
             Ao invés disso, vamos dar risada e incentivar o moleque de 7 anos (7 anos!!!) a "pegar um file com popozão". Afinal, nunca e cedo demais pra mostrar pro papai que se e um garanhão, que não deixa passar nenhuma cachorra.
             Isso e que é uma infância saudável! E pensar que eu perdi tanto tempo assistindo "Bambalalão", "Sitio do Pica-Pau Amarelo" e ouvindo aqueles discos da "Turma do Balão Mágico". Ao invés disso podia estar por ai, transando umas cachorras... 

            Enquanto a gente da risada, a molecada vai crescendo com a certeza de que mulher não passa de uma bunda e um par de peitos siliconados, que gosta de ser chamada de cachorra e que acha que só um tapinha não dói.
             Se "só um Tapinha não dói", o primeiro deveria ser dado no popozão dos tigrinhos e cachorrinhas que curtem essas coisas.
             Depois a gente não entende o motivo do aumento dos índices de violência contra a mulher e porque
 ela é tão desrespeitada na sociedade. Será que não é obvio? 
            Você, cadela...quero dizer, mulher que esta lendo isso, levante-se e lute! Não seja uma cachorra!

             Um tapinha dói, sim! Exija respeito antes que nos, homens, acreditemos que e isso mesmo que vocês querem.
             Deponham as Xuxas, Carlas Perez, Feiticeiras, Tiazinhas, Enfermeiras, Interneticas, Vampiras, Fernandas Abreu e Vanessinhas Pikachu de seus reinados de miséria intelectual! 
           
             Conto com vocês!!!
             E lembrem-se sempre da cada vez mais pertinente frase de Oscar Wilde:
                        " Todo crime e vulgar, assim como toda vulgaridade e criminosa" .

 Janaina